Gourmet Viralata II

 Grande parte do meu tempo - e da minha fome – de gourmet viralata é dedicado à busca e experimentação de salgadinhos e sanduíches. Me perco por uma boa coxinha e às vezes troco o almoço por duas ou três doses de empadinha.

Salgadinhos – Agora a coisa complica. Em São Paulo salgado vai de quibe a coxinha, de pão de queijo a croquete. Usando o bom senso, para mim salgadinho é coxinha, empadinha, casadinho, mini quiche, folhados, rissoles, aquelas miudezas fritas ou assadas que a gente encontra nas vitrines de doceiras – agora é doceria!! -, lanchonetes e padarias.

Quase todas as boas doceiras de São Paulo têm salgadinhos corretos. Mas bons mesmo são os salgados fritos da Ofner. A Coxa Creme é imbatível e o Casadinho de Camarão sequinho e saboroso. Combinado com a generosa coxinha vale por um almoço! Os celebrados camarão empanado e coxa creme da Bologna já não são mais aqueles. Não sei se não tive sorte mas, nas últimas visitas à Rotisseria, durante a semana, os salgados vieram frios e com um jeitão de “ontem”. 

Salgadinhos de padaria e lanchonete são, no mínimo, duvidosos. Fico deprimida cada vez que vejo aquelas coxinhas entrando na 3ª idade, enrugadas e caídas, os rissoles desanimados e murchos ao lado de um solitário folhado desbotado e sonolento. Todos deixam a desejar em pelo menos um destes quesitos: fritura (encharcados de óleo, branquelos ou passados demais), massa (seca ou dura, aguada e insossa) e recheio (sem graça ou escasso). Quanto aos salgadinhos com catupiry, nada tenho a declarar. Não como.

empadinha é um salgado mais jeitoso e sai-se razoavelmente bem nas vitrines de padarias e lanchonetes. O problema é que nem sempre se pode confiar no recheio  dos salgadinhos assados, seja torta, empada ou quiche. É aí que a qualidade dos ingredientes faz a diferença. Se é de palmito, ele em geral é duro e fibroso. Se é de frango, às vezes é gosmento. E se é de camarão, cadê o camarão????  Em compensação o que não falta em São Paulo são boas lojas especializadas em empadinhas. O Rancho da Empada e a Ofner levam qualquer gourmet viralata ao nirvana. (A empadinha de camarão do Astor é sensacional mas comida de restaurante não entra na minha categoria Comida Democrática.) 

Pra terminar, o Pastel. Depois que ele mudou de status, virou tema de discussões e até objeto de concurso, ficou complicado tratar pastel como um salgado comum. Mas é o que ele é! Todas as feiras e a maioria dos sacolões e hortifrutis têm o seu canto do pastel. E hoje em dia são todos mais ou menos iguais. Variam só no tamanho, num ou noutro recheio e no atendimento. Uma dica: nas feiras a melhor barraca de pastel é a que tem mais gente. Não há como errar.

Já pastel de padaria e de lanchonete é outro papo. Como regra, fujo deles. Pequenos, mal fritos ou requentados, massa grossa e recheio invisível. Mesmo nos templos da Baixa Gastronomia os pastéis são apenas sofríveis.



Gourmet Viralata

Que paulistano que se preze resiste a uma parada estratégica  para um pastel ou uma boa coxinha? Quem, de vez em quando, não prefere trocar o almoço ou jantar por um sanduíche caprichado?

Eu sou louca por comidinhas triviais, democráticas. Não falo da nova moda ”Baixa Gastronomia” dos botecos famosos, que até já invadiu restaurantes estrelados. Me derreto é com delícias de Padaria e Lanchonetes, comida de rua - dogões, pastel de feira, sanduíche de pernil de saída de Estádio, milho em espiga, empadinhas e lulas fritas da praia, salgadinhos de Doceiras, enfim, as gostosuras que encontramos andando por São Paulo.  Sem nenhum preconceito, até Mc Donalds faz parte do meu roteiro. Adoro sanduíche.

Minha zona de “pesquisa” vai do Jaguaré aos Jardins, segue pelo Itaim Bibi, Vila Nova Conceição e Moema e continua até o Pacaembu e Higienópolis. Não posso dizer que já experimentei de tudo mas meu currículo é bem vasto!

Padaria - Recomendar padaria é complicado;  cada um tem a sua. A bem da verdade, a melhor padaria é aquela perto de casa, onde se vai a pé e todo mundo te conhece. Quem é que enfrenta o trânsito de São Paulo para comprar o pão de cada dia a quilometros de distância? Mas hoje as padarias diversificaram tanto suas ofertas de serviços e produtos que muitas delas esqueceram do mais importante: sua majestade, o PÃO! Se estiver atrás de um bom pão visite a Villa Grano, na Vila Madalena. Mergulhe na seção de pães e esqueça o resto. Brioche, Caseirinho com Manteiga, Australiano, Parmesão, Portuguesinho, Francês, Pães de Forma especiais da casa, todos são bons.  Ótimos também o palito de calabresa e o de queijo da A Pioneira, no Alto de Pinheiros, e o pão francês da St. Etienne. Os pães feitos no Santa Luzia já foram melhores mas a Ciabatta ainda é muito boa. Padaria de supermercado? Passo longe. Fora a do Santa Luzia, não há uma que se salve.

Croissant bom mesmo, igual ao francês, só conheço o da Patisserie Douce France, na Al. Jaú. Todos os outros que experimentei são cópias razoáveis ou mal feitas. O do hotel Grand Hyatt é ótimo mas, para comê-lo, você vai ter que pagar uma nota pelo café da manhã mais uma fortuna pelo estacionamento. Não vendem pra fora.

Agora, baguette igual à francesa, fininha, macia por dentro, com casca dourada e crocante por fora, pode esquecer. Nossa manteiga e nossa farinha não ajudam? Deve ser isso. O que as padarias chamam de baguette nada mais são que pães franceses mais compridos ou pães estreitos, finos e ressecados.  Se alguém souber de uma baguette realmente boa, me avise.

Desconfie das padarias famosas e estreladas que ”os especialistas” teimam em eleger como “A Melhor”. Em geral são as que fazem marketing, ”as padarias da moda”, quesito extremamente valorizado pelos críticos de plantão. Muitas das pseudo melhores criaram a fama e vivem dela por anos a fio.