Tipo Assim Um Chico Buarque

Eu bato o portão sem fazer alarde/Eu levo a carteira de identidade/Uma saideira, muita saudade/E a leve impressão de que já vou tarde.

Se entornaste a nossa sorte pelo chão/Se na bagunça do teu coração/Meu sangue errou de veia e se perdeu

Bastou um orifício para que o reservatório de bobagens, grosserias, inveja e ressentimentos dos “críticos” começasse a vazar. Gente que, se muito inspirada, consegue rimar dor com amor e coração com ilusão, condena Chico Buarque e a música  ”Querido Diário” com fúria digna de extremistas islâmicos.

Eu sou sua alma gêmea/Sou sua  fêmea/Seu par, sua irmã/Eu sou seu incesto/Sou igual a você/Eu nasci pra você/Eu não presto

De todas as maneiras que há de amar/Nós já nos amamos/Com todas as palavras feitas pra sangrar/Já nos cortamos

 É típico de certos críticos, ”especialistas”, jornalistas e blogueiros medíocres e sem luz própria: tentam pegar carona na fama alheia para ver se aparecem. E o fazem da única maneira de que são capazes: ofendendo, xingando, humilhando e destruindo com a virulência de um bando de cascavéis.

E me vingar a qualquer preço/Te adorando pelo avesso

Pintar, vestir/Virar uma aguardente/Para a próxima função/Rezar, cuspir/Surgir repentinamente/Na frente do telão/Palmas pro artista confundir/Pernas pro artista tropeçar

 “Querido Diário” não é a melhor música do Chico. E daí? Só os ignorantes acham que um gênio tem a obrigação de produzir só genialidades.

Todo dia ela faz tudo sempre igual/Me sacode às seis horas da manhã,/Me sorri um sorriso pontual/E me beija com a boca de hortelã.  

Quem que te mandou tomar conhaque/Com o tíquete que te dei pro leite
 
Orifício pode parecer feio e esdrúxulo para os xiitas desmemoriados, que não se lembram das rimas e palavras estranhas que Chico Buarque usou em músicas consagradas. É preciso um talento imenso para fazer versos inesquecíveis com paralelepípedo, armário embutido, sanatório, carteira de identidade, inadimplente, aspirina.
 
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato/Que papel!/Uma imagem de são Francisco/E um bom disco de Noel
 
 O segundo me chegou/Como quem chega do bar:/Trouxe um litro de aguardente/Tão amarga de tragar./Indagou o meu passado/E cheirou minha comida./Vasculhou minha gaveta;/Me chamava de perdida.
 
 Tem mais: com o nosso português empobrecido e o vocabulário médio das pessoas cada vez mais reduzido, bato uma aposta que muita gente que se manifestou nem sabia o que quer dizer orifício.
 
 Me vejo a teu lado/Te amo? Não lembro/Parece dezembro/De um ano dourado/Parece bolero
 
Ele me comia/Com aqueles olhos/De comer fotografia/Eu disse cheese/E de close em close/Fui perdendo a pose/E até sorri, feliz
 
A outra música divulgada, “Tipo um Baião”, também foi vista com reservas. Afinal, como  Chico Buarque, sempre tão gramaticalmente correto, escreve uma letra que enfatiza o uso vicioso e irritante da expressão “tipo”, “tipo assim”? 
 
Nem assaz alhures e antanho/Era um evento tamanho/A sagração nupcial/Vinha a noiva de gargantilha/Caçoleta e rendilha/Diadema e torçal
  
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas/Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos/Profetas, sinopses, espelhos, conselhos/Se dane o evangelho e todos os orixás
 
Chico é um dos maiores letristas brasileiros e também um cronista atento e inteligente. Poético, delicado, incisivo, romântico, ousado, ele faz o que quer com as palavras e, como todo bom cronista, as usa para registrar a moda, os interesses, os hábitos e as tendências de um determinado momento. Se tivesse escrito a letra há 3 anos provavelmente usaria um daqueles odiosos e onipresentes gerundismos. Em 2011 a moda é tipo assim.  
 
Iracema voou/Para a América/Leva roupa de lã/E anda lépida/Vê um filme de quando em vez/Não domina o idioma inglês/Lava chão numa casa de chá
 
Eu te murmuro/Eu te suspiro/Eu, que soletro/Teu nome no escuro /Me escutas, Cecília?/Mas eu te chamava em silêncio/Na tua presença/Palavras são brutas
 
Com ou sem orifício, daqui a 10, 50, 100 anos Chico Buarque vai continuar a ser ouvido, respeitado e aclamado. Daqui a uma semana ninguém mais vai lembrar das pessoas tipo assim talibãs tupiniquins que o apedrejaram.
Eu quero te mostrar/As marcas que ganhei/Nas lutas contra o rei/Nas discussões com Deus
 
Com que mentira abriste meu segredo/De que romance antigo me roubaste/Com que raio de luz me iluminaste/Quando eu estava bem, morta de medo
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Os Onipresentes Pleonasmos Viciosos

Como sou persistente, insistente, teimosa, perseverante, obstinada continuo a minha cruzada inglória contra os pleonasmos viciosos,  apêndices inúteis e grotescos, metidos e antipáticos que só enfeiam e engordam nossa linguagem.

Rápida espiada na gramática: Pleonasmo vicioso=Repetição de termos supérfluos, inúteis e desnecessários na frase.

Explico, esperneio, escrevo, corrijo, mas tenho que dar a mão à palmatória: o uso de certos pleonasmos viciosos na linguagem coloquial, é cada vez mais comum e aceito. Alguns deles aparecem mesmo nas ocasiões em que a norma culta impera – ou deveria. Não há bate-papo, discurso, pronunciamentos, entrevista, aula ou palestra em que um ou outro pleonasmo vicioso não meta o bedelho.

Alguns pleonasmos são característicos de determinados grupos com fácil e frequente acesso às mídias e, por isto, amplamente divulgados e populares. Ora, se âncora de jornal de TV, astro de novela, diretor de empresa, comentarista esportivo, político e até ministro falam “inauguração de novas lojas”, “elo de ligação entre o governo e a sociedade”, “empresa com grandes projetos para o futuro”, “encarar de frente os desafios”, “manter o mesmo time”, “criar novos empregos”, “viagem feita há dois anos atrás”, “ela está sempre com um sorriso nos lábios” por que não podemos falar assim também? Poder pode; ainda vivemos numa democracia. Mas ser popular não é sinônimo de estar certo.

Para que elo “de ligação” se elo significa ligação, união?

Inaugurar quer dizer expor pela primeira vez à vista ou ao uso do público, estabelecer pela primeira vez. Donde se conclui que o adjetivo “nova/o” é penetra em qualquer inauguração. Não se inaugura nada antigo ou velho. Assim também não se cria nada que não seja novo. Criar é gerar, originar, dar origem ou existência a, fundar.

Quem é capaz de fazer planos e projetos para o passado?  Já tentou encarar alguma coisa ou alguém de lado ou de costas? É possível manter um outro time ? Por que usar há + atrás se as duas palavras indicam a mesma coisa, tempo passado. Pra terminar, vamos apenas sorrir, sem lábios. Ou você conhece alguém que sorri com a testa ou com as orelhas?

Fique esperto e não se deixe enganar. O pessoal de moda e decoração vai pedir que você atente para os mínimos, pequenos e até grandes detalhes de uma roupa, de um móvel ou de um ambiente. Detalhe não é sinônimo de coisa pequena.  Direto para o dicionário. Detalhe = minúcia, pormenor, particularidade. Portanto, detalhe não tem tamanho.

A tribo da culinária, tão na moda, insiste em ensinar a cortar o bolo em duas metades e a dividir o tomate em metades iguais. Você já conseguiu dividir qualquer coisa ao meio e obter mais que duas metades? E já viu duas metades de tamanhos diferentes? O dicionário nos diz que metade é cada uma das duas partes iguais em que se divide um todo. Portanto, corte o bolo ao meio e divida o tomate pela metade ou em metades.

A turma dos programas de auditório, sites e canais de compras promete lhe dar inteiramente grátis alguma coisa e anuncia que os primeiros a telefonar vão ganhar grátis qualquer besteira. Dar é presentear, doar. Portanto, a palavra dar já implica “de graça”. Do mesmo modo, ninguém ganha pagando; use receber grátis.

Não fale sem pensar só porque os outros falam. Ainda tenho um restinho de esperança que, com um pouco de atenção, você consegue se livrar desses  penetras metidos, vulgo pleonasmos viciosos, que entram de fininho na nossa linguagem, se instalam como convidados de honra e tomam conta da festa.

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O Atleta Sua e o Piano Soa

Você  é dos que transpiram mas jamais suam? Aquela frase soou mal? Para você o sino toca mas nunca soa? Pois é, muita gente tem arrepios e engasga toda vez que tem que usar os verbos suar e soar. Mas conjugá-los é mais fácil do que parece.

Lembra daquela aula sobre verbos regulares? São aqueles em que o radical  permanece o mesmo em toda a conjugação. Assim, os radicais dos verbos amar=am, cantar=cant -, andar=and não mudam nunca.  Primeira surpresa: o verbo suar é regular. Portanto, conserve sempre o radical su e conjugue-o normalmente, como qualquer verbo regular da 1ª conjugação.

Para facilitar, uma dica: na conjugação do verbo suar não existe a vogal O na primeira sílaba – radical su – em nenhum modo, tempo e pessoa. Fale sem medo: eu suo a camisa/ nós suávamos demais/o técnico queria que ele suasse bastante/ela sua de medo quando voa/frite o bife e sue a cebola na manteiga.

Conjugar o verbo soar também não é difícil. Mas como ele “soa” esquisito em alguns tempos e pessoas, você acha que talvez seja defectivo e que está falando errado. Soe em qualquer pessoa, tempo e modo; o verbo soar não é defectivo.

Ainda com um pé atrás? Relaxe. Assim como você diz tranquilamente eu vôo/para que eles  perdoem/o padre abençoou, está certíssimo falar eu sôo/para que eles soem/a campainha soou. Soar é conjugado igualzinho aos verbos abençoar, perdoar e voar.

Para não errar, use este truque: na conjugação do verbo soar não existe a vogal U na primeira sílaba de soar - radical so – em nenhum modo, tempo e pessoa. Mantenha sempre o so e fique à vontade para dizer eu me comovo quando soa o violino/as vozes soaram estranhas/soava a décima badalada /pimentão não me soa bem/soou meia-noite/o discurso soava falso.

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A Velhice Obrigatória – Entrando nos 60

Você sabe o dia exato em que deixou de ser criança e virou adolescente? Qual é a data em que você se tornou adulto?  Claro que ninguém sabe.  Mas alguém um dia decretou que, ao soar a última badalada da meia-noite dos 59 para os 60 anos de idade, todos nós nos  transformamos automaticamente em velhos. Tomara fossem abóboras! 

Por que será que a única fase da nossa vida que tem dia, mês e ano pré-determinados para começar é a famigerada “velhice”

 Ora, ninguém despenca na terceira idade de uma hora para a outra. Teoricamente, até que daria tempo de ir se acostumando com a ideia. Afinal, temos 59 anos para nos preparar, ou até mais, se você é dos que trapaceiam 3, 4 e até 6 anos na contagem. Mas não é assim que funciona. A realidade nua e crua é que, qualquer que seja seu estado físico e mental, sem levar em conta as diferenças individuais, e independente da sua saúde, disposição e vontade, aos 60 você se torna social e legalmente um “idoso”.

Para tentar amenizar a entrada tão pouco triunfal nos 60, e porque as palavras velho e velhice têm uma conotação um tanto pejorativa, criaram-se eufemismos idiotas para elas. Trocando seis por meia dúzia, nos chamam de “idosos” e nos acenam com as “as delícias do amadurecimento”, “o valor da experiência adquirida”, ”as alegrias da terceira idade”, ”as vantagens da maturidade”,  ”a arte de envelhecer” e, para mim, o pior de todos: “a melhor idade”. Socorro!  

Alguma vantagem nesta coercitiva aterrizagem na velhice? À primeira vista parece que simHá leis específicas e um estatuto exclusivo para idosos, tudo pensado para proteger nossos direitos fundamentais, assegurar alguns privilégios e cuidar da nossa saúde e bem-estar. Funcionam? Muito pouco. 

Já que em nosso deturpado imaginário “velho” (ou “idoso”) está culturalmente associado com a perda da memória e dos dentes, cabelos brancos, crochê, andador ou cadeira de rodas, incontinência urinária e cascatas de rugas, e se você, nos seus 60, 70 ou 80 anos, não apresenta estes “sintomas”, no dia-a-dia as leis, de modo geral, são ignoradas. Além disso, a burocracia é tortuosa e a falta de educação se encarrega de liquidar com o resto dos privilégios.

Se você entrou nos 60, tornando-se compulsoriamente “idoso”, pode ser que encontre algum consolo nas mais de 7 milhões de páginas da Internet que enaltecem o envelhecimento e a entrada na terceira idade. Mas se tiver bom senso, deixe essas baboseiras pra lá, viva a sua vida e aproveite o melhor que a “velhice” tem a oferecer: 50% de desconto no preço de ingressos para cinemas, teatros, concertos e shows. E se tiver mais de 65, vá de ônibus ou de metrô. É de graça!

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O Português “Popular” nos Canais Pagos

exibir detalhesNo embate  TV versus Língua Portuguesa lamento informar que o nosso Português está perdendo de lavada, algo parecido a 18 x 0 de um jogo de futebol. E não me refiro à TV aberta, não. Estou me referindo à TV por assinatura que, em troca de uma gorda mensalidade, promete ao “amigo assinante” uma programação diversificada e de qualidade.

De uns meses pra cá a TV paga resolveu ficar mais popular,  para atender o número crescente de assinantes da chamada Classe C. Como, na mídia, “popular” é quase sempre confundido com “popularesco”, no seu sentido mais negativo, de ordinário, grosso,vulgar, a alardeada popularização atinge em cheio a nossa castigada língua portuguesa, diariamente massacrada pelo conceito torto do que seja ”linguagem coloquial”.

Sob o pretexto de falar a língua do povo, os patéticos apresentadores dos novos programas exibem, sem um pingo de vergonha, uma crassa ignorância  das regras mais banais do português do dia a dia e apelam para  um amontoado de lugares-comuns, vícios de linguagem, excesso de gírias e pleonasmos óbvios. Sem falar nas punhaladas mortíferas aplicadas com zelo e garra às concordâncias nominal e verbal.

O uso indiscriminado de palavrões merece um parágrafo à parte. Com a percepção preconceituosa e distorcida de que a classe C é, por definição, ignorante, mal educada e semi-analfabeta, palavras como bom, ruim, difícil, legal, péssimo, ótimo, na moda são substituídas com naturalidade por palavrões cabeludos e termos chulos.

 Não sei o que está sendo mais desmoralizado e denegrido nessa nova programação “popular” da TV paga. Nossa língua portuguesa ou o povo brasileiro?

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Cadê Meu Troco?

Ando tão cansada de sempre ser garfada e ter que pedir o troco certo em todas as compras que faço com dinheiro que vou adotar o hábito de uma amiga. Revoltada de tanto ser escamoteada no troco, ela aboliu o dinheiro e paga tudo com cheque ou cartão, não importa o valor. Até gorjeta já deu com cheque!

Agora é moda: tudo o que compramos custa x reais mais 90, 98 ou 99 centavos. Até os restaurantes chiques adotaram os 90 centavos no preço de pratos. 5, 10 e 50 centavos são valores  inexistentes no comércio.  Não há nada ilegal nesta “política de preços”. O que é absolutamente ilegal é não dar o troco certo pela compra.

Resultado óbvio? A prática do “Arredondamento”, para cima ou para baixo. Qualquer valor que não acabe em um número redondo é automaticamente arredondado. E sempre em favor do vendedor. Seja onde for, supermercados, sacolões, lojas mais populares, do gênero Americanas e C&A, lojas de grife, restaurantes e bares ignoram solenemente trocos de 1, 2, 3 e até de 5 centavos.  

A maior especialista em não dar troco é a Americanas. Todos os artigos vendidos custam alguma coisa e 99 centavos. E NUNCA o vendedor dá o centavo devido de troco.  Qual é a ideia que está por trás destes onipresentes 99 centavos no preço? Isto é ou não é roubo? A quem reclamar?

Façam um teste e tentem pagar em dinheiro o próximo supermercado ou quitanda. Eu garanto que, em 90% das vezes, o total da sua compra vai terminar em um valor maior ou menor que 5 centavos e o caixa vai ignorar solenemente o troco que lhe é devido ou arredondá-lo. Se são 3 centavos, cobram 5, se são 7 cobram 10. Pode ser que você tenha sorte e ganhe algumas balinhas fajutas no lugar dos centavos devidos!  

O pior disso tudo é que a maioria das pessoas não reclama, fica com vergonha de exigir o que é seu por direito, abaixa a cabeça ou simplesmente não está nem aí com os centavos perdidos a cada compra. E tem mais: os Caixas sentem-se ofendidos quando você exige seu troco certo. A Caixa de um sacolão chegou a me dizer:” Se a senhora vai ficar mais pobre por causa de 3 centavos, toma 5.” Claro que foi despedida em seguida pela grosseria, mas o que importa é que este é um exemplo do que pensa o povo: centavo não é dinheiro.

Se você já viajou para o exterior, tente se lembrar de alguma vez que um estabelecimento comercial deixou de lhe dar o troco certo, com todos os cents, pences, cêntimos ou centavos a que tem direito. Pensou? A resposta é: nunca!

Centavo é dinheiro, receber troco é direito de quem compra e dar o troco certo é obrigação de quem vende. Se conseguir apoio, ainda fundo o MOPOCOART, Movimento Popular Contra o Arredondamento do Troco.        

             Não deixe seu porquinho ficar magrinho!

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A Segunda Colonização do Brasil

Nenhuma novidade: a língua inglesa invadiu o português do Brasil. Estou chovendo no molhado, eu sei. Globalização, Informática, Internet, conheço todo esse blá blá blá  que pretende explicar e justificar a enxurrada de palavras e termos ingleses inundando a nossa combalida língua portuguesa. Dou-me por vencida quanto à dominação irreversível do Inglês na Informática, na Economia e no mundo dos negócios - perdão, business!

Acontece que a adoção de modelos norte-americanos tomou  proporções tão grandes que estamos virando uma verdadeira filial dos EUA, à moda das antigas colonias inglesas do século 19.  Além do inglês que invade nossa língua são os EUA inteiros que invadiram toda a nossa cultura. Estamos novamente sendo colonizados.  A diferença é que agora o “colonizador” não precisa fazer nenhum esforço para se impor ao “colonizado”. Nós nos submetemos a essa intensa americanização porque queremos. Somos tão deslumbrados com as maravilhas norte-americanas que, felizes e contentes, voluntariamente importamos, junto com Ipods, Ipads, tecnologia de ponta e conhecimento científico, o modo de vida norte-americano, sua maneira de pensar, seus hábitos, seus valores, seus gostos, suas festas,em suma, sua cultura.

O comércio brasileiro não promove mais liquidações e nem dá descontos; agora circulamos sorridentes e satisfeitos entre lojas On Sale e pagamos 30% off. Restaurantes, supermercados e lojas despediram manobristas e recepcionistas; nossos carros são guardados por valets e somos atendidos por amáveis hostesses. É mais chique, é melhor, é “como nos EUA” !!!

 Pedimos comida Delivery, aos domingos vamos com a família tomar um brunch, limpamos nossa casa com produtos Ultra Clean, Amazon, Progress, Baby Soft, Fresh Lemon, Power Plus, escolhemos nosso creme dental entre Extreme Clean, Whitening e Fresh Cool Mint. Pele seca? Vá de Body Milk, Softlotion ou Cream Oil. Reforço no desodorante? Escolha entre Ebony, Invisible Dry e Hair Minimising.

Em nossa ânsia para imitar o colonizador lavamos o carro no Car Wash, cuidamos da saúde em Health Centers, da forma em Fit Centers e dos dentes em Oral Centers.

As crianças viraram kids que ligam a TV para assistir a Backyardigans, Mister Maker e Lazytown. Adolescentes são teens, usam t-shirt em vez de camiseta, short doll em vez de pijama,  boxers em vez de cueca.

Comemos Wraps e bebemos Shakes assistindo a CSI (Crime Scene Investigation), Law and Order, House e Friends. O comércio nos deseja  Merry Christmas e Happy New Year e nos incentiva a Be Happier & Be Faster!

Nas escolas as crianças comemoram entusiasmadas o Halloween, os supermercados anunciam  produtos e pratos especiais para o Thanksgiving, as meninas sonham ser cheerleaders, jogar rugby virou moda e 40% dos professores e alunos são vítimas do bullying.

Neste ritmo, em pouquíssimo tempo estaremos comemorando patrioticamente o 4 de julho com o hino americano na ponta da língua,  ligaremos para 911 em situações de emergência e os estádios ficarão lotados com torcedores fanáticos por baseball.

No limite, pelo andar da carruagem não demora que a cópia indiscriminada e sem crítica do comportamento dos norte-americanos produza com sucesso serials killers autenticamente nacionais e Columbines tupiniquins, com adolescentes 100% brasileiros protagonizando massacres sangrentos em suas escolas.

Vamos adotar a prática; é tão norte-americano!!!!

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Couscous pra Todo o Serviço

Prático, barato, rápido, fácil de fazer, gostoso, versátil. Quantas qualidades mais tem o Couscous? Ah, ele pode ser servido frio, morno e quente, como salada, entrada, sopa, acompanhamento, prato principal e até como sobremesa. Chega?

Entendendo o Couscous

Dá-se o nome de “couscous” a preparados à base de sêmola de cereais como trigo, milho, mandioca e arroz, em geral cozidos no vapor. Diferente da farinha, que é moída, a sêmola é triturada e o produto granuloso resultante da trituração é o chamado couscous.

Não confunda  Couscous com cuscuz, prato bem brasileiro à base de farinhas de milho e mandioca.  Aqui estamos falando do chamado couscous dito marroquino, na verdade grãos de sêmola de trigo, e que também dá nome a uma tradicional especialidade marroquina.

O Couscous encontrado por aqui é importado e vendido em caixas de 500g. Vem pré-cozido, bastando adicionar aos grãos água salgada ou caldo quente, um fio de azeite e um pouquinho de manteiga.  Ele deve ficar fofo, soltinho e um pouco úmido. Fica pronto em menos de 10 minutos e rende bastante. Para aquecer é só colocar no micro-ondas por 2 minutos.  

Veja três receitas com couscous: uma salada ou entrada, um prato principal e um acompanhamento. Experimente todas; vale à pena.

Salada ou Entrada –  Salada de Couscous, Abobrinha e Queijo Feta

Original, leve e com poucas calorias, esta salada pode ser servida sozinha ou como acompanhamento de peixe ou filé de frango grelhados.

Ingredientes para 4 pessoas: 250 g de couscous – 300 ml de caldo de vegetais bem quente - 2 abobrinhas pequenas cortadas em fatias finas no sentido do comprimento – 2tomates maduros e firmes, sem sementes, cortados em cubinhos – 1 colher de sopa de azeite – 100 g e queijo Feta ou similar, esfarelado grosseiramente – Sumo de um limão – 1 colher de sopa de salsinha picada – Sal e pimenta do reino a gosto

Preparo: Faça o couscous seguindo as instruções da embalagem, substituindo a água pelo caldo já temperado. Quando todo o líquido estiver absorvido mexa com um garfo para soltar bem os grãos, experimente e corrija o tempero, adicionando um pouquinho mais de azeite e/ou sal, e coloque o couscous numa vasilha funda, de vidro ou louça. Não ponha muito sal pois o queijo Feta é bem salgado. Aqueça o azeite numa frigideira antiaderente e grelhe as fatias de abobrinha dos dois lados, até que fiquem ligeiramente douradas. Grelhe poucas de cada vez. escorra e tempere com pitadas de sal e pimenta do reino. Misture ao couscous o queijo esfarelado, os cubos de tomate, a salsa e sumo de limão a gosto. Afunde algumas fatias de abobrinha nos grãos e coloque as outras por cima. Sirva em temperatura ambiente.

Dica 1 - Você pode substituir a abobrinha por tiras de pimentão vermelho e amarelo sem pele. No lugar do queijo feta pode usar um queijo meia cura, de preferência de leite de cabra.

Dica 2 – Experimente colocar, no lugar da abobrinha, meio pepino japonês cortado ao meio e depois em rodelas, algumas tiras de pimentão vermelho sem pele, rodelas de cebolas grelhadas e douradas em azeite e um punhado de pinoles tostados.

Dica 3 – Misture ao couscous já pronto algumas colheradas de Pesto.

Prato Principal – Embrulhinhos de Salmão e Couscous com Ervas Frescas

Em menos de meia hora você prepara um prato completo, diferente e delicioso, sem trabalho e sem sujar panelas.

Ingredientes para 4 pessoas: 250 g de couscous – 300 ml de caldo de legumes bem quente – 4 filés de salmão sem pele, com 200 g cada - 2 colheres de sopa de azeite - 4 colheres de sopa de ervas frescas picadas, como salsinha, tomilho e alecrim -  4 cebolinhas bem picadas, só a parte branca - Suco de 1 limão – Sal e pimenta do reino a gosto 

Preparo: Faça o couscous seguindo as instruções da embalagem. Quando todo o líquido estiver absorvido, mexa com um garfo para soltar os grãos e afofar. Misture 1 colher de sopa de azeite,  3 colheres das ervas picadas, a cebolinha e o suco de limão aos poucos. Experimente e corrija sal e limão a seu gosto. Tempere os filés de salmão com sal e pimenta a gosto e pincele dos dois lados com azeite. Aqueça o forno a 200 graus por 10 minutos. Corte 4 quadrados de papel manteiga, cada um com cerca de 35 cm. Divida o couscous em 4 porções e coloque cada porção no centro da cada quadrado. Disponha os filés de salmão sobre o couscous, salpique com o restante das ervas, feche bem o papel, fazendo várias dobras mas deixando uns 3 dedos de espaço entre a última dobra e o peixe. Torça as pontas bem apertado, coloque os “pacotes” numa assadeira ou tabuleiro e leve ao forno por 15 a 20 minutos ou até que o peixe passe da cor original para um rosa forte e, ao ser apertado levemente, forme lascas grandes. (Retire um embrulho e teste.) Retire os pacotes do forno, coloque cada um sobre um prato raso, abra só um pouquinho em cima, para sair o excesso de vapor, disponha um quarto de limão em cada prato e sirva imediatamente no próprio embrulho. 

Dica – Use as ervas de que mais gostar. O importante é que elas sejam frescas. Experimente misturar dill picado e salsinha ou hortelã, salsinha e tomilho ou estragão, salsinha e alecrim.

Acompanhamento – Couscous com Romã e Especiarias

Esta é a escolta perfeita para cordeiro, frango assado ou grelhado, bistecas suínas e kebabs 

Ingredientes para 4 pessoas: 250 g de couscous – 300 ml de caldo de vegetais já temperado - 1 colher de chá de cada especiaria: canela em pó, cominho em pó e coentro em pó – 1 romã grande - Azeite, sal e pimenta do reino a gosto 

Preparo: Coloque o couscous numa vasilha funda, misture os grãos com as especiarias e adicione o caldo seguindo as instruções da embalagem. Mexa bem e espere o couscous absorver todo o líquido. Adicione um pouco de azeite e mexa com um garfo para soltar os grãos e afofar. Corte a romã ao meio sobre a vasilha do couscous para que o sumo da fruta caia no couscous. Retire com uma colher os grãos da romã, adicione ao poucos ao preparado e misture bem. Experimente e corrija o sabor com mais sumo e/ou grãos de romã a gosto. Reserve 1 colher de grãos da fruta para decorar. Na hora de servir aqueça no micro-ondas, mexa bem para soltar e salpique com a romã reservada.

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Sobremesas Fáceis com Lemon Curd

O Lemon Curd – creme de limão e gemas – casa bem com frutas vermelhas, que estão no auge,  e é ótimo complemento para sobremesas não muito doces. Aqui vão algumas sugestões fáceis e rápidas.                       1 – Experimente servir framboesas e amoras frescas em  tacinhas, com cobertura de Lemon Curd. Se gostar, rale um pouco de chocolate amargo sobre o creme.

2 – Faça – ou compre pronto – um Cheese Cake básico, cubra com Lemon Curd e decore com amoras e framboesas frescas ou com morangos fatiados.

3 – Misture 300 g de Lemon Curd com 180 g de Creme de Leite fresco batido como para chantilly (mas sem açúcar).  Divida 150 g de framboesas frescas em 2 porções. Distribua uma porção da fruta por 6 tortinhas de massa folhada compradas prontas ou outro tipo equivalente. Espalhe o creme por cima até a borda e decore com o restante das frutas. Derreta no micro-ondas 50 g de chocolate amargo e regue o topo das tortinhas, fazendo fios grossos. Coloque na geladeira por 10 minutos antes de servir.  

4 – Esmigalhe grosseiramente 200 g de Cookies de Frutas Vermelhas ou de Cookies de sabor neutro, de castanhas ou de nozes. Com os biscoitos esmigalhados faça uma camada de mais ou menos 1 cm  no fundo de 6 copinhos de vidro ou de 6 taças de vinho branco. Aperte levemente para alisar. Faça 300 ml de Lemon Curd (veja receita neste blog, no Post “Lemon Curd e Frutas Vermelhas”) e misture 200 g de lemon curd com 300 g de creme de leite fresco batido como para chantilly, mas sem açúcar. Sobre os cookies coloque alterne 1 camada fina de Lemon Curd e 1 grossa do creme misturado de modo que sobrem 2 cm na borda. Cubra com papel filme e ponha na geladeira por 30 a 40 minutos. Na hora de servir espalhe um punhado de migalhas de cookies sobre as as taças, disponha em cada uma 3-4 amoras e 3-4 framboesas e sirva.

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Lemon Curd-O famoso Creme de Limão inglês

A tradução literal de Lemon Curd é Coalhada de Limão. Na verdade este é um creme espesso, à base de gemas e limão, de preferência siciliano, muito usado na Inglaterra e nos EUA acompanhando “berries” frescas, como framboesa, morango e amora, como ingrediente e recheio de bolos e tortas, em sorvetes e iogurtes e como cobertura.  Lá é possível comprar o creme pronto em qualquer bom supermercado.

Leve, delicioso e fácil de fazer, o Lemon Curd dura até uma semana na geladeira. Faça o seu e sirva nas festas de Natal e Reveillon com frutas vermelhas.

Lemon Curd  

Ingredientes para 360 ml de creme (1 1/2 xícara): 3 ovos bem grandes e frescos – 80 ml de sumo de limão (2 a 3 limões) – 1 colher de sopa de raspas de limão, só a parte verde ou amarela, se usar limão siciliano – 150  de açúcar refinado e peneirado – 50 g de manteiga gelada, cortada em cubinhos

Preparação: Numa vasilha funda que vá ao banho-maria misture bem o açúcar, os ovos e o suco de limão até que o preparado fique cor de creme claro. Coloque o sumo de limão aos poucos, experimente e corrija com mais ou menos sumo de limão se gostar de um creme mais ou menos ácido. Ponha a vasilha sobre uma panela com água fervendo baixinho, de modo que o fundo da vasilha não encoste na água. Sem parar de mexer cozinhe o preparado por cerca de 10 minutos ou até que comece a engrossar e fique com a consistência de um molho holandês. Não deixe ferver. Retire o creme do fogo antes que o creme engrosse muito pois ele vai engrossar bastante quando esfriar. Coe o creme imediatamente numa peneira fina para uma vasilha limpa e adicione os cubinhos de manteiga gelada, misturando bem após cada adição. Só coloque mais um cubinho quando o anterior estiver completamente incorporado. Junte as raspas de limão, misture bem e deixe esfriar. Coloque num vidro limpo e escaldado, cubra a superfície com papel filme para evitar que se forme uma pele, tampe e coloque na geladeira. Retire meia hora antes de usar.

Tortinhas Recheadas com Cheesecake de Limão e Frutas Vermelhas

 Compre as tortinhas prontas e prepare o Lemon Curd, o coulis e as frutas na véspera. No dia você só vai ter o trabalho de misturar, montar e  servir uma sobremesa leve, charmosa, original e com um visual lindo.

Ingredientes para 4 pessoas: 8 tortinhas prontas de massa folhada Arosa ou equivalente, cada uma com cerca de 7 cm de diâmetro na borda- 400 g de Cream Cheese – 4 colheres de sopa de Lemon Curd – 100 g de framboesas frescas  – 1o0 g de amoras frescas – 1 colher de sopa de Cassis ou Porto (Opcional) - 8 colheres de sopa de Coulis de frutas vermelhas (ver receita em outro Post deste Blog) – Açúcar de confeiteiro para polvilhar

Preparo: Misture o cream cheese com o lemon curd até que o preparado esteja macio e cremoso e leve à geladeira para firmar. Misture com cuidado as frutas cruas. Na hora de servir misture o Cassis ou Porto ao Coulis e coloque meia colher do molho no fundo de cada tortinha. Cubra com uma boa colher de sopa do creme de limão e queijo e reserve o restante do creme. Regue com mais um pouquinho de Coulis e arrume por cima as framboesas e amoras, apertando levemente as frutas sobre o creme. Lemon cheesecake tartlets   Polvilhe com açúcar de confeiteiro. Divida o restante do creme entre os 4 pratos e coloque o preparado no centro, formando 2 círculos. Desenhe em volta gotas e fios de molho vermelho e disponha as tortinhas sobre o creme, apertando de leve para firmar. Sirva em seguida.

Dica 1 - Você pode usar frutas cruas congeladas. Neste caso retire do freezer, coloque numa vasilha e salpique as frutas congeladas com o açúcar. Misture bem, espere descongelar misturando sempre, coloque na geladeira e continue com a receita normalmente. 

Dica 2 – Se preferir, substitua o cream cheese tradicional pelo light.

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